Semana da Mulher: A cada dia mulheres são vítimas de violência no Brasil — realidade preocupa em Zé Doca
Mesmo com a proteção da Lei Maria da Penha, milhões de mulheres ainda enfrentam agressões dentro de casa; especialistas alertam que a violência quase sempre começa com gritos, humilhações e controle psicológico
06 de Março de 2026 | Zé Doca, MA
Zé Doca (MA), Durante a semana dedicada à valorização dos direitos femininos, celebrada em todo o país por ocasião do Dia Internacional da Mulher, um problema grave continua presente na realidade de muitas brasileiras: a violência doméstica.
Dados recentes apontam que milhares de mulheres ainda vivem sob agressões físicas, psicológicas e ameaças dentro do próprio lar. Em muitos casos, o agressor é o companheiro ou ex-companheiro da vítima.
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.518 casos de feminicídio em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser contabilizado oficialmente.
O número representa uma média de cerca de quatro mulheres assassinadas por dia no país.
Estudos também indicam que milhões de brasileiras relatam sofrer algum tipo de violência doméstica todos os anos, revelando que o problema vai muito além dos casos que chegam ao conhecimento das autoridades.
A violência começa com o primeiro grito
Especialistas alertam que a violência doméstica raramente começa com agressões físicas.
Na maioria das vezes, ela começa de forma silenciosa, com comportamentos que muitas pessoas ainda não reconhecem como violência.
Entre os primeiros sinais estão:
• Gritos e intimidações
• Humilhações e xingamentos
• Controle das amizades e da forma de vestir
• Ciúme excessivo
• Ameaças constantes
• Tentativa de isolar a mulher da família e dos amigos
Essas atitudes fazem parte da chamada violência psicológica e podem evoluir para agressões físicas, colocando a vida da vítima em risco.
A proteção da Lei Maria da Penha
Criada em 2006, a Lei Maria da Penha é considerada uma das legislações mais importantes do Brasil no combate à violência doméstica.
A lei recebeu esse nome em homenagem à farmacêutica brasileira Maria da Penha Maia Fernandes, que se tornou símbolo da luta contra a violência doméstica após sobreviver a duas tentativas de assassinato cometidas pelo próprio marido.
A legislação reconhece que a violência contra a mulher pode ocorrer de diversas formas, não apenas através de agressões físicas.
Tipos de violência reconhecidos pela Lei Maria da Penha
A legislação brasileira reconhece cinco formas principais de violência contra a mulher.
Violência física
A violência física acontece quando o agressor utiliza força contra o corpo da mulher.
Entre os exemplos estão:
• Tapas
• Socos
• Empurrões
• Chutes
• Puxões de cabelo
• Agressões com objetos
Mesmo quando não deixam marcas aparentes, essas agressões são crime.
Violência psicológica
A violência psicológica é uma das mais comuns e muitas vezes a primeira a aparecer em relacionamentos abusivos.
Ela ocorre quando o agressor tenta controlar, intimidar ou humilhar a mulher.
Alguns exemplos incluem:
• Gritar constantemente
• Humilhar ou ridicularizar
• Vigiar celular e redes sociais
• Controlar amizades ou roupas
• Ameaçar ou intimidar
Esse tipo de violência pode provocar medo, ansiedade, depressão e perda de autoestima.
Violência moral
A violência moral acontece quando o agressor tenta destruir a reputação ou a honra da mulher.
Isso pode ocorrer por meio de:
• Xingamentos e insultos
• Acusações falsas
• Difamação
• Espalhar mentiras sobre a vítima
Essas atitudes também são consideradas violência pela legislação.
Violência patrimonial
A violência patrimonial ocorre quando o agressor tenta controlar ou destruir os bens da mulher para exercer poder sobre ela.
Alguns exemplos são:
• Controlar o dinheiro da vítima
• Impedir que ela trabalhe
• Destruir documentos pessoais
• Quebrar objetos ou bens
• Esconder cartões ou salário
Esse tipo de violência muitas vezes gera dependência financeira.
Violência sexual
A violência sexual acontece quando a mulher é obrigada ou pressionada a ter relações ou práticas sexuais contra sua vontade.
Isso pode incluir:
• Forçar relações sexuais
• Pressionar ou ameaçar para ter relações
• Impedir o uso de métodos contraceptivos
• Obrigar gravidez ou aborto
Mesmo dentro do casamento ou de um relacionamento, a mulher tem o direito de dizer não.
O medo e a Dependência Emocional
Apesar da existência da lei, muitas mulheres ainda têm medo de denunciar.
Entre os principais motivos estão:
• Dependência emocional
• Dependência financeira
• Medo de represálias
• Preocupação com os filhos
• Pressão familiar ou social
Especialistas alertam que discursos que tentam desacreditar denúncias — alegando que muitas seriam falsas — podem acabar desencorajando vítimas que realmente precisam de proteção.
Realidade também preocupa em Zé Doca
Embora muitas vezes associada às grandes cidades, a violência doméstica também atinge municípios do interior.
Em Zé Doca, moradores e lideranças sociais relatam preocupação com casos de agressões contra mulheres registrados ao longo dos anos, incluindo episódios de feminicídio.
A situação reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção, campanhas de conscientização e políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Denunciar pode salvar vidas
Especialistas reforçam que denunciar é um passo fundamental para interromper o ciclo de violência.
A vítima pode procurar delegacias, órgãos de assistência social ou utilizar canais nacionais de denúncia.
📞 180 – Central de Atendimento à Mulher
📞 190 – Polícia Militar em caso de emergência
A denúncia pode ser feita pela própria vítima ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento da situação.
Um alerta na Semana da Mulher
A Semana da Mulher é um momento de celebrar conquistas, mas também de refletir sobre desafios que ainda precisam ser enfrentados.
Combater a violência doméstica exige informação, apoio às vítimas e políticas públicas eficazes.
A mensagem é clara: nenhuma mulher deve viver com medo dentro da própria casa.
Fontes:
• Ministério da Justiça e Segurança Pública
• Fórum Brasileiro de Segurança Pública
• Agência Brasil
• Lei Maria da Penha